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03/03/2016
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Um conto hondurenho que resume o internauta brasileiro

Rã verde de olhos vermelhos saltando em direção à mosca
Abaixo, reproduzo o texto 'A rã que queria ser uma rã autêntica', do escritor hondurenho Augusto Monterroso. O conto sintetiza a internet brasileira - curto como o tupiniquim gosta, autêntico como ele deveria ser.

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Era uma vez uma rã que queria ser uma rã autêntica, e que todos os dias se esforçava para isso.

No começo ela comprou um espelho onde se olhava longamente procurando sua almejada autenticidade.

Algumas vezes parecia encontrá-la e outras não, de acordo com o humor desse dia e da hora, até que se cansou disso e guardou o espelho num baú.

Finalmente, ela pensou que a única maneira de conhecer seu próprio valor estava na opinião das pessoas, e começou a se pentear e a se vestir e a se despir (quando não lhe restava nenhum outro recurso) para saber se os outros a aprovavam e reconheciam que era uma rã autêntica.

Um dia observou que o que mais admiravam nela era seu corpo, especialmente suas pernas, de forma que se dedicou a fazer exercícios e a pular para ter ancas cada vez melhores, e sentia que todos a aplaudiam.

E assim continuava fazendo esforços até que, disposta a qualquer coisa para conseguir que a considerassem uma rã autêntica, deixava que lhe arrancassem as ancas, e os outros as comiam, e ela ainda chegava a ouvir com amargura quando diziam: que ótima rã, até parece frango.
 
Imagem: Nicolas Reusens (topo)
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