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02/02/2016
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O dificultoso retorno de um blogueiro infame

Mãos digitam sobre o teclado de computador
Tenho algumas dificuldades na vida. Na verdade, modéstia à parte, tenho muitas. Uma delas é começar um texto, outra é definir um título, mas nada se compara a reconhecer amigos. Com algumas décadas de vida e uns poucos, mas proveitosos, anos de internet, deixei de confiar nas pessoas.

Não me arrependo. Afinal de contas, mesmo cautelosos, somos traídos e usados desde o útero. O triste na coisa toda é que os calos emocionais nos tornam rudes, céticos, apáticos, com traços antissociais.

Eu devo ter uns seis amigos e, sinceramente, não posso contar com nenhum deles na maioria das vezes. No entanto, acredito na amizade como qualidade humana. Algumas pessoas são assim: cúmplices, companheiras, altruístas, solícitas. Esses seres me trouxeram até aqui. Por isso, resolvi dedicar o texto inaugural a eles: meus apoiadores morais.

Duas personagens falam sobre blogging
Apoio moral: é disso que eu tô falando! gapingvoid.com

Decidi retornar à blogosfera por motivos pessoais e ambições profissionais, mas, ao contrário da minha primeira incursão, estou amparado por gente de alto gabarito, especialistas que eu contrataria se tivesse um espírito empreendedor e dinheiro, é claro.

Em minha passagem inicial, tudo o que queria era um lugar para depositar o lixo eletrônico que enchia a caixa de entrada do meu e-mail, mas não demorei muito para perceber o quão útil poderia ser aquela ferramenta. Então, passei a compilar coisas interessantes dos links em que naveguei e até das revistas que li. Aos poucos, fui deixando textos autorais pelo caminho.

Aderi aos sistemas de parcerias, tentei vingar com agregadores de posts e conheci muita gente interessante, como o Pensador Louco, que chegou a colaborar comigo, editando meus banners e ilustrando um post coletivo supimpa; o Enki Jr., dono de uns trinta endereços virtuais, que ainda arranja tempo para dar conselhos e prestar serviços gráficos; e o Toshiba, blogueiro de sucesso que sabia ganhar uns trocos com monetização e me incentivava a fazer o mesmo.

Ouça O Teatro Escuro do Pensador Louco
Além dos colegas cibernéticos, consegui atrair alguns da biosfera para a rede. Caso do Lucas Araújo, um daqueles comentaristas tão bons, que deveria ser blogueiro também; do M. Roger, ilustrador e gamer, que chegou a rascunhar uma série de tirinhas comigo; do editor Henrique Dumas, que criou uns layouts de divulgação para mim; do meu amigo Teta, que sempre cedeu suas mídias sociais para os meus experimentos; e do Joseval Carvalho, programador sagaz que manja tudo de registros e hospedagens. Outros flertaram comigo, mas preferiram suas vidinhas pacatas e a relação esfriou.

Acesse GameLover.org, dos maneirudos Enki Jr. e M. Roger
Lembro-me que fiquei uns quatro anos procurando algum webdesigner disposto a criar artes para o meu espaço virtual, sabendo do risco de ser confundido com um aproveitador barato ou aparecer no blog do Di Vasca. Troquei quase cinquenta mensagens com profissionais brasileiros e até estrangeiros, dos desconhecidos aos renomados. E tive gratas surpresas, como a solicitude e educação de Ricardo GimenesBruno Mota, Fernando Pow, Kama Dwipayana e Malusco.

Relutei muito antes de pagar alguém pelo trabalho. Não por achar que não valeria um investimento, pois sabia do valor imensurável do trabalho de um artista. Evitei ao máximo contratar um designer porque nunca tive intenção de ganhar dinheiro com as blogagens. Por que raios iria querer gastar? Só queria ser um fun blogger qualquer.

Eu deixei de divulgar meu antigo blog por diversos motivos, mas o principal era o fato dele não ter uma identidade visual. Além de ter um URL pouco amigável, um nome enorme, ele não tinha mascote ou logo definidos. O Tejota Menezes já começa diferente e diferenciado do background ao logotipo, graças aos serviços prestados pelo magnífico, magnânimo e magnetizante Homero Esteves.

Veja também Ted Bit, a HQ infantil de Homero Esteves

Nunca fiz sucesso por inúmeros motivos. Além de não suprir a demanda com conteúdos de qualidade, também pecava na periodicidade. Para resolver isto, convidei blogueiros para escrever comigo. Era um plano perfeito: o blog estaria sempre atualizado e, enquanto os colegas se revezavam nas publicações, eu poderia me ater na produção de artigos mais densos.

A verdade é que minha primeira página era tão desinteressante, que nem os próprios colaboradores liam ou comentavam. Então, por que criar outra? Não é mais vantajoso produzir um vlog? Sou apaixonado por blogs. Acho que não há nada mais didático, terapêutico e democrático no ambiente virtual. Além do mais, foi a melhor maneira que encontrei para unir minha verborragia ao meu método.

Contrariando aos conselheiros, decidi que o blog não terá um tema em especial. Sou inseguro demais para trabalhar com um nicho específico e atrevido o bastante para publicar o que der na telha. Quero continuar reunindo as coisas que gosto num só lugar e para que isso dê certo preciso de um blog pessoal, não um temático.
 
Digo e volto a repetir, há muitas coisas difíceis nesta vida e, para não dificultar ainda mais, vou dividir as minhas lamúrias, uma a uma, nos posts que virão. Como costumo dizer, se nada der certo, vou para o telemarketing. Até lá, vou precisar de apoiadores.
Imagens: MJgraphics's (topo), Gapingvoid
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