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20/04/2017
Grandes vilões do cinema: Alex DeLarge, Coringa e Tyler Durden

Se você é cinéfilo assumido ou apenas um singelo consumidor de cinema, vale a pena conferir as dicas desta lista, que apresenta sete links (ou mais) que todo amante da telona deveria favoritar. Nada de IMDb, Rotten Tomatoes, Metacritic, Fandango, Filmow e Melhores Filmes, muito menos páginas de produtoras e distribuidoras de filmes ou sites de críticos da sétima arte. O recorte será menos óbvio.

Registro de tela da página do Super 8, programa da rádio Cultura FM
Super 8 destaca as canções que embalam as aventuras de Forrest Gump

Com apresentação de Alexandre Ingrevallo, o Super 8 traz a cada edição uma seleção das canções responsáveis por compor o acompanhamento musical dos filmes. Normalmente, Ingrevalo monta o repertório a partir de um compositor de cena ou de uma produção, destacando as obras incidentais presentes na trilha sonora.

Ouça Grandes clássicos do cinema no Super 8
Norman Bates levanta a cabeça, olha para a câmera e sorri maliciosamente
A assustadora cinemagrafia de Norman Bates em 'Psycho' IWDRM

Lembra dos artistas digitais Jamie Beck e Kevin Burg? Eles causaram alvoroço na internet ficaram conhecidos por misturar fotografias e gifs, as chamadas cinemagrafias. Seguindo a mesma proposta do Cinemagraphs, o IWDRM - sigla para If we don't, remember me - recria alguns segundos de ação a partir de stills, animando o objeto em foco e congelando o que está em segundo plano e vice-versa.

Desbrave A coleção de gifs do IWDRM
Forrest Gump oferece bombons a um casal de senhores
Sentado num banco da Chippewa Square, Gump oferece bombons a dois senhores Christopher Moloney

Acompanhado de fotogramas dos filmes, o fotógrafo canadense Christopher Moloney visita locais de gravação de famosos títulos do cinema. As visitas são registradas em fotos e publicadas no tumblr FILMography. Se você gosta de turismo cinematográfico, também vale a pena acompanhar o blog da Fangirl Quest, que mostra uma trupe de mulheres viajando pelo mundo para fotografar locações de grandes produções do cinema.

Reconheça Os locais de gravação de cenas épicas com o FILMography
Doc Brown olhando para o horizonte
Doc Brown na versão alternativa do pôster de 'Back to the Future' Flore Maquin

Alguns ilustradores ficaram famosos mundo afora fazendo fan arts e releituras de cartazes, casos de Oscar DelmarFlore Maquin e Jesús Prudencio, autor do projeto CarsAndFilms. Pensando nisso, foi criado o PosterSpy, uma comunidade global de designers de pôsteres alternativos. Para cartazes originais, o melhor caminho ainda é o CineMasterpieces, reduto de scans vintages para fãs de cinema.

Explore O acervo de pôsteres do PosterSpy
Forrest Gump estranha a raquete com o rosto de Mao
Parte das cores usadas para o pingue-pogue diplomático entre China e EUA em 'Forrest Gump'

Movies In Color e Cinema Palettes são bons endereços para estudantes de produção audiovisual e outros estudiosos da Teoria das Cores, ambos analisam os tons usados por diretores de arte e fotografia em cenas marcantes. Roxy Radulescu e Gaby Smith - respectivos donos das páginas - aceitam pedidos de análises.

Descubra A composição de cores dos filmes em Movies In Color
O boneco Woody estirado no chão de casa
'Toy Story' utilizou a família tipográfica Gill Sans para os créditos iniciais

O designer Christian Annyas dedicou seu tempo livre para analisar a tipografia aplicada em filmes. Todo lettering passa pelo crivo dele: do logo desenhado para o título aos créditos de encerramento. Sempre que possível, Annyas credita as fontes usadas nos letreiros e os designers responsáveis pelo logotipo.

Acesse The Movie Title Stills Collection
O sheepdog voa alto na continuação de Debi e Lóide
O pôster de 'Dumb and Dumber To' sem textos

Já pensou em emoldurar um quadro, usar um wallpaper ou até estampar uma camiseta com a arte do seu filme preferido? Graças aos usuários do fórum Blu-ray.com isso é possível. Mais de trinta adeptos da cinefilia escaneiam e disponibilizam cartazes de cinema com os textos removidos.

Visite O índice do Hi-Res Textless Movie Posters
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29/12/2016

Final de ano chegando, a rapaziada ajeitando os cúler da Brahma e repartindo o custeio do churras; a muguegada colhendo e compartilhando as simpatias do programa da Cátia Fonseca e da Sônia Abrão - nem parece um novo desfecho, mas é. Todo mundo de branco em suas casas matizadas. Afinal de contas, cada cor tem sua aplicação: "essa afasta isso, aquela evita aquilo". Em comum, erros antigos e promessas novas.

Babaquice. Desde criança, eu parei de fazer promessas; nem pedido eu fazia ao soprar a velinha. Acredite, não me arrependo em nada. Todo fim de ano é igual, uma soma de tristezas e alegrias. O que levar de tudo isso? Lições.

Eu posso passar um ano inteiro sem alegrias, mas preciso aprender algo. Se você erra muito, como eu, procure tirar algo de tudo isso. É de merda que se aduba a vida? Chico Bacon declarou: "é assim mesmo".

Vivam os pensadores errantes! Vivam os cacos da vida!
Imagem: Caco Galhardo (topo)
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19/11/2016

Se estivesse vivo, meu pai completaria 47 anos hoje. Escrevi este texto em 8 de abril de 2008, dois dias após sua morte, e voltei a revisá-lo agora. Tenho vontade de editar muita coisa do original - os trechos finais são melodramáticos e otimistas demais para o meu gosto. Fora que a minha visão sobre Deus mudou muito. Enfim, ainda penso o mesmo sobre o meu pai e sinto sua falta imensamente.

Perdi meu pai. Foi-se tão cedo, que até as flores que preenchiam o caixão pareciam velhas e antiquadas perto dele. As maçãs de seu rosto contrastavam com as retas nítidas e opacas daquele ataúde. Desde então, mudei meu conceito de perfeição. Sim, ainda acredito que ela esteja nos olhos de quem vê e nos detalhes de quem é observado. Ser perfeito, mais do que isso, é ensinar a acertar e aprender com os erros.

Meu pai era perfeito. Ele tinha desenvoltura para brincar, jogo de cintura para falar, mas não gostava de ouvir. Preferia aprender com os erros. Eu sei lá se ele pensava para falar, mas fazia-nos pensar quando falava. Tinha a disposição de um garoto, o estresse de um adulto e a sabedoria de um ancião. Não havia quem não se identificasse com ele.

Hoje, olho para as nuvens e não vejo formar desenhos, sinto os dias longos e a vida curta. Não vejo diferença entre frio e calor. Meu coração está vazio e minha cabeça está cheia.

Nós não escolhemos nossa família graças a Deus, que é sábio e escolhe o melhor pra gente. A missão do meu pai acabou, a minha apenas começou. Deus sabe que o amei incondicionalmente.

Tudo isso me resta de consolo, além das mil palavras deixadas por pessoas próximas, que não descrevo em uma só sensação; e das mil sensações que não descrevo em uma palavra. Não te esquecerei, não te superarei, mas conto com a ajuda de Deus, o amparo dos homens e as leis da natureza, para atingir as expectativas que o senhor tinha pra mim. Serei tudo o que o senhor imaginou e um pouco mais do que muitos não botarão fé.

Espero que um dia o nome do senhor não esteja apenas naquela lápide, e sim espalhado pelo mundo, de forma que seja lembrado: suspirado ou gritado. Meu pai, o senhor me ensinou o valor de um "não", mas as coisas certas aprendi só de imitá-lo. Obrigado pelas brincadeiras que pareciam não ter valor e pelos valores que não foram de brincadeira.

Terei um irmão pra cuidar, sua mulher para amparar, minha mãe e família para acolher e ser acolhido e todo o restante do pessoal para brindarmos juntos, lutas que vencerei em seu nome.

Caso perguntem quem sou, diga que sou filho de Celso Roberto Menezes de Jesus.
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05/03/2016


Um texto de 3 de novembro de 2013.

Nos últimos dias, tentava me recolocar no mercado de trabalho. Sou estudante de Comunicação Social com ênfase em Rádio e TV e, já não bastasse a burocracia e os jogos de interesse que delimitam os meios, tenho que aguentar o fato de que alguns recrutadores não são profissionais de Recursos Humanos, mas membros do corpo diretivo, que, muitas vezes, adotam práticas próprias de seleção. Uns não selecionam mulheres, outros não contratam pessoas mal afeiçoadas e por aí vai. Se eu fosse mulher, os pré-requisitos seriam ainda mais absurdos.

Em uma das tentativas de conseguir emprego, recebi uma resposta que me deixou deveras puto. A minha carta de apresentação não pareceu convincente para o destinatário, que desdenhou do trecho em que eu dizia precisar "apenas de uma chance para colocar em prática a dedicação que tenho dado aos meus estudos". Ele questionou minha seriedade porque em minha foto de perfil, apareço com um boné vermelho de lado.

Se ele me dissesse que a foto poderia comprometer a minha reputação, eu entenderia e até agradeceria pelo conselho, mas ele quis me desqualificar, usando o diminutivo e, ao que me parece, um pouco de ironia no fim da mensagem, como reproduzo abaixo.

Boa iniciativa para alguém que usa um bonézinho de lado.

Petulante que nunca deixei de ser, resolvi dar as caras, como nenhuma foto poderia fazer por mim, e enviei a réplica a seguir.

P,
 
Sou uma das pessoas mais sérias que você jamais conhecerá. Se acha que estou blefando, ligue para as empresas onde trabalhei e peça as minhas referências. Faça questão de falar com meus ex-superiores.

Agradeço o comentário, mas dispenso a análise do currículo. Não gostaria de ser julgado antes mesmo de um contato pessoal, como aconteceu.

Fico imaginando como Chico Science seria julgado por você. O cara se enrolava em trapos remendados. Imagine só Einstein, com aquela língua de fora. Descolado ou deslocado? Ambos? E se eu usasse uma foto de criança em meu perfil? A foto diria que sou infantil? Se usasse a foto de um famoso, seria um tiete ou um portador de transtorno dissociativo de identidade?

O mais engraçado é isto vir de alguém que usa o avatar de um espermatozoide e uma capa com o detalhe de uma tatuagem de uma caveira com asas e cabelo. Como eu deveria te julgar? Um precoce? Um rebelde? Acho que eu não deveria te julgar.

No meio audiovisual, existem as figuras mais emblemáticas possíveis. É até estranho que alguém do meio, um profissional que trabalha com o lúdico, faça um comentário assim. Como alguém consegue criar com um pensamento reducionista desses? Deixe as condicionais para os profissionais de Exatas, você é ou deveria ser um artista.

Há várias pessoas de "bonézinhos de lado" por aí, mas poucas serão capazes de vestir a camisa de uma empresa, como eu, porque ser sério não é ser sisudo, mas comprometido. Se você tivesse algum compromisso com a seriedade, teria analisado meu currículo antes de qualquer coisa.

Levei menos de um segundo para tirar aquela foto, alguns dias elaborando um resumo da minha vida, outras horas para selecionar os destinatários e anos dedicando meus esforços nas carreiras acadêmica e profissional, para você me julgar por um quadrado de pixels, resumindo-me em uma linha? Acho que não, mas dispenso seus esforços futuros em me compreender. Eu me demito, antes mesmo de ser admitido.

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Hoje, não uso mais a foto com o "bonézinho de lado". Não é medo de não preencher o requisito do avaliador, mas uma questão de identidade visual. Naquela foto, eu usava um conjunto da Adidas, marca que passei a boicotar por acreditar num envolvimento da empresa com trabalho escravo.

Gostava daquele conjunto porque foi o último presente que recebi do meu pai, falecido em 2008. O boné era o elemento menos significativo, uma peça da marca Blunt. Eu mesmo comprei e deixei de usar, depois que descobri que blunt significava baseado.

Então, eu uni todas aquelas cores vermelhas das roupas e registrei o momento num ângulo que fazia ou pretendia fazer referência ao enquadramento usado nos clipes do Beastie Boys, sobretudo naqueles filmados com grande angular.

As fotos eram representações fiéis do meu físico [o que é uma infelicidade tremenda] e nada mais. Uma foto pode conter mais significados do que transmitir. E se ela não transmitir o que sou, compareço pessoalmente ou virtualmente. Seriedade garantida ou seu e-mail de volta.
 
A empresa do recrutador fechou um ano depois.
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03/03/2016
Rã verde de olhos vermelhos saltando em direção à mosca
Abaixo, reproduzo o texto 'A rã que queria ser uma rã autêntica', do escritor hondurenho Augusto Monterroso. O conto sintetiza a internet brasileira - curto como o tupiniquim gosta, autêntico como ele deveria ser.

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Era uma vez uma rã que queria ser uma rã autêntica, e que todos os dias se esforçava para isso.

No começo ela comprou um espelho onde se olhava longamente procurando sua almejada autenticidade.

Algumas vezes parecia encontrá-la e outras não, de acordo com o humor desse dia e da hora, até que se cansou disso e guardou o espelho num baú.

Finalmente, ela pensou que a única maneira de conhecer seu próprio valor estava na opinião das pessoas, e começou a se pentear e a se vestir e a se despir (quando não lhe restava nenhum outro recurso) para saber se os outros a aprovavam e reconheciam que era uma rã autêntica.

Um dia observou que o que mais admiravam nela era seu corpo, especialmente suas pernas, de forma que se dedicou a fazer exercícios e a pular para ter ancas cada vez melhores, e sentia que todos a aplaudiam.

E assim continuava fazendo esforços até que, disposta a qualquer coisa para conseguir que a considerassem uma rã autêntica, deixava que lhe arrancassem as ancas, e os outros as comiam, e ela ainda chegava a ouvir com amargura quando diziam: que ótima rã, até parece frango.
 
Imagem: Nicolas Reusens (topo)
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