05/03/16


Um texto de 3 de novembro de 2013.

Nos últimos dias, tentava me recolocar no mercado de trabalho. Sou estudante de Comunicação Social com ênfase em Rádio e TV e, já não bastasse a burocracia e os jogos de interesse que delimitam os meios, tenho que aguentar o fato de que alguns recrutadores não são profissionais de Recursos Humanos, mas membros do corpo diretivo, que, muitas vezes, adotam práticas próprias de seleção. Uns não selecionam mulheres, outros não contratam pessoas mal afeiçoadas e por aí vai. Se eu fosse mulher, os pré-requisitos seriam ainda mais absurdos.

Em uma das tentativas de conseguir emprego, recebi uma resposta que me deixou deveras puto. A minha carta de apresentação não pareceu convincente para o destinatário, que desdenhou do trecho em que eu dizia precisar "apenas de uma chance para colocar em prática a dedicação que tenho dado aos meus estudos". Ele questionou minha seriedade porque em minha foto de perfil, apareço com um boné vermelho de lado.

Se ele me dissesse que a foto poderia comprometer a minha reputação, eu entenderia e até agradeceria pelo conselho, mas ele quis me desqualificar, usando o diminutivo e, ao que me parece, um pouco de ironia no fim da mensagem, como reproduzo abaixo.

Boa iniciativa para alguém que usa um bonézinho de lado.

Petulante que nunca deixei de ser, resolvi dar as caras, como nenhuma foto poderia fazer por mim, e enviei a réplica a seguir.

P,
 
Sou uma das pessoas mais sérias que você jamais conhecerá. Se acha que estou blefando, ligue para as empresas onde trabalhei e peça as minhas referências. Faça questão de falar com meus ex-superiores.

Agradeço o comentário, mas dispenso a análise do currículo. Não gostaria de ser julgado antes mesmo de um contato pessoal, como aconteceu.

Fico imaginando como Chico Science seria julgado por você. O cara se enrolava em trapos remendados. Imagine só Einstein, com aquela língua de fora. Descolado ou deslocado? Ambos? E se eu usasse uma foto de criança em meu perfil? A foto diria que sou infantil? Se usasse a foto de um famoso, seria um tiete ou um portador de transtorno dissociativo de identidade?

O mais engraçado é isto vir de alguém que usa o avatar de um espermatozoide e uma capa com o detalhe de uma tatuagem de uma caveira com asas e cabelo. Como eu deveria te julgar? Um precoce? Um rebelde? Acho que eu não deveria te julgar.

No meio audiovisual, existem as figuras mais emblemáticas possíveis. É até estranho que alguém do meio, um profissional que trabalha com o lúdico, faça um comentário assim. Como alguém consegue criar com um pensamento reducionista desses? Deixe as condicionais para os profissionais de Exatas, você é ou deveria ser um artista.

Há várias pessoas de "bonézinhos de lado" por aí, mas poucas serão capazes de vestir a camisa de uma empresa, como eu, porque ser sério não é ser sisudo, mas comprometido. Se você tivesse algum compromisso com a seriedade, teria analisado meu currículo antes de qualquer coisa.

Levei menos de um segundo para tirar aquela foto, alguns dias elaborando um resumo da minha vida, outras horas para selecionar os destinatários e anos dedicando meus esforços nas carreiras acadêmica e profissional, para você me julgar por um quadrado de pixels, resumindo-me em uma linha? Acho que não, mas dispenso seus esforços futuros em me compreender. Eu me demito, antes mesmo de ser admitido.

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Hoje, não uso mais a foto com o "bonézinho de lado". Não é medo de não preencher o requisito do avaliador, mas uma questão de identidade visual. Naquela foto, eu usava um conjunto da Adidas, marca que passei a boicotar por acreditar num envolvimento da empresa com trabalho escravo.

Gostava daquele conjunto porque foi o último presente que recebi do meu pai, falecido em 2008. O boné era o elemento menos significativo, uma peça da marca Blunt. Eu mesmo comprei e deixei de usar, depois que descobri que blunt significava baseado.

Então, eu uni todas aquelas cores vermelhas das roupas e registrei o momento num ângulo que fazia ou pretendia fazer referência ao enquadramento usado nos clipes do Beastie Boys, sobretudo naqueles filmados com grande angular.

As fotos eram representações fiéis do meu físico [o que é uma infelicidade tremenda] e nada mais. Uma foto pode conter mais significados do que transmitir. E se ela não transmitir o que sou, compareço pessoalmente ou virtualmente. Seriedade garantida ou seu e-mail de volta.
 
A empresa do recrutador fechou um ano depois.
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03/03/16
Rã verde de olhos vermelhos saltando em direção à mosca
Abaixo, reproduzo o texto 'A rã que queria ser uma rã autêntica', do escritor hondurenho Augusto Monterroso. O conto sintetiza a internet brasileira - curto como o tupiniquim gosta, autêntico como ele deveria ser.

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Era uma vez uma rã que queria ser uma rã autêntica, e que todos os dias se esforçava para isso.

No começo ela comprou um espelho onde se olhava longamente procurando sua almejada autenticidade.

Algumas vezes parecia encontrá-la e outras não, de acordo com o humor desse dia e da hora, até que se cansou disso e guardou o espelho num baú.

Finalmente, ela pensou que a única maneira de conhecer seu próprio valor estava na opinião das pessoas, e começou a se pentear e a se vestir e a se despir (quando não lhe restava nenhum outro recurso) para saber se os outros a aprovavam e reconheciam que era uma rã autêntica.

Um dia observou que o que mais admiravam nela era seu corpo, especialmente suas pernas, de forma que se dedicou a fazer exercícios e a pular para ter ancas cada vez melhores, e sentia que todos a aplaudiam.

E assim continuava fazendo esforços até que, disposta a qualquer coisa para conseguir que a considerassem uma rã autêntica, deixava que lhe arrancassem as ancas, e os outros as comiam, e ela ainda chegava a ouvir com amargura quando diziam: que ótima rã, até parece frango.
 
Imagem: Nicolas Reusens (topo)
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27/02/16

Foi o que tentei descobrir. Para isso, selecionei nove listas internacionais, elaboradas por revistas, jornais, críticos e fãs, que tentaram definir as maiores canções da história da música pop. Ou seja: aqui, não foram elencadas obras da música erudita, clássica ou de tradição escrita. Ao fim dos nove rankings, está a "lista das listas" - resultado da apuração das posições de todos as eleições anteriores.

A conclusão do trabalho foi publicada no cmais+, antigo portal da TV Cultura, contou a colaboração do jornalista musical Felipe Tringoni e os comentários do cantor Otto.



Esta lista compreende as dez primeiras posições do ranking elaborado pelo veterano crítico Dave Marsh, e foi originalmente publicada em seu livro de 1989. O ranking completo de Marsh engloba rock, metal, R&B, disco, folk, funk, punk, reggae, rap, soul, country e todo tipo de música que marcou época na segunda metade do século passado.

1. 'I Heard It Through the Grapevine', Marvin Gaye (1968)
2. 'Johnny B. Goode', Chuck Berry (1958)
3. 'Papa's Got a Brand New Bag', James Brown (1965)
4. 'Reach Out I'll Be There', The Four Tops (1966)
5. 'You've Lost That Lovin' Feelin'', The Righteous Brothers (1964)
6. 'Satisfaction', The Rolling Stones (1965)
7. 'Like a Rolling Stone', Bob Dylan (1965)
8. 'Respect', Aretha Franklin (1967)
9. 'Tutti Frutti', Little Richard (1956)
10. 'Nowhere to Run', Martha and the Vandellas (1965)


Com base em ampla pesquisa em publicações e canais de música, como Rolling Stone, Mojo e VH1, a revista alemã Focus elaborou sua lista com as 100 melhores faixas de todos os tempos, da qual reproduzimos as dez primeiras posições.

1. 'I Heard it Througt the Grapevine', Marvin Gaye (1968)
2. 'Good Vibrations', The Beach Boys (1966)
3. 'Satisfaction', The Rolling Stones (1965)
4. 'Hey Jude', The Beatles (1968)
5. 'Imagine', John Lennon (1971)
6. 'Bohemian Rhapsody', Queen (1975)
7. 'Smells Like Teen Spirit', Nirvana (1991)
8. 'Every Breath You Take', The Police (1983)
9. 'Billie Jean', Michael Jackson (1982)
10. 'The Dock of the Bay', Otis Redding (1968)


A revista inglesa Q elaborou sua lista de 1001 músicas em edição de 2003. O número especial da publicação também incluiu sub-listas, como Top 10 de rap, metal e pop britânico, cada uma com indicações para a lista definitiva. Eis os dez primeiros lugares no ranking geral:

1. 'One', U2 (1991)
2. 'I Say a Little Prayer', Aretha Franklin (1968)
3. 'Smells Like Teen Spirit', Nirvana (1991)
4. 'A Day in the Life', The Beatles (1967)
5. 'In the Ghetto', Elvis Presley (1969)
6. 'My Name Is', Eminem (1999)
7. 'Creep', Radiohead (1993)
8. 'Independent Women Part I', Destiny's Child (2000)
9. 'Live Forever', Oasis (1994)
10. 'River Deep - Mountain High', Ike & Tina Turner (1966)


Aqui, a lista é elaborada pelos leitores do polêmico tablóide inglês The Sun. Em pesquisa realizada no mesmo ano de publicação da lista da Q Magazine, os leitores colocaram 'Bohemian Rhapsody', do Queen, na primeira posição.

1. 'Bohemian Rhapsody', Queen (1975)
2. 'Angels', Robbie Williams (1997)
3. 'Everybody Hurts', R.E.M. (1993)
4. 'Imagine', John Lennon (1971)
5. 'With or Without You', U2 (1987)
6. 'Live Forever', Oasis (1994)
7. 'Going Underground', The Jam (1980)
8. 'Penny Lane', The Beatles (1967)
9. 'Candle in the Wind', Elton John (1974)
10. 'Love Me Tender', Elvis Presley (1956)


A lista da publicação musical estadunidense é considerada, mesmo dez anos depois de sua publicação, uma das mais importantes eleições já feitas sobre o assunto. Foi publicada originalmente em edição especial da revista daquele ano.

1. 'Like a Rolling Stone', Bob Dylan (1965)
2. 'Satisfaction', The Rolling Stones (1965)
3. 'Imagine', John Lennon (1971)
4. 'What's Going On', Marvin Gaye (1971)
5. 'Respect', Aretha Franklin (1967)
6. 'Good Vibrations', The Beach Boys (1966)
7. 'Johnny B. Goode', Chuck Berry (1958)
8. 'Hey Jude', The Beatles (1968)
9. 'Smells Like Teen Spirit', Nirvana (1991)
10. 'What'd I Say', Ray Charles (1959)


Em lista classificada como "global" pelo tradicional semanário musical inglês, leitores de 66 países e 20 línguas diferentes escolheram suas músicas favoritas. À época, o NME salientou que, no Reino Unido, a lista teve resultados diferentes, com Michael Jackson e sua 'Billie Jean' na primeira posição.

1. 'We Are the Champions', Queen (1977)
2. 'Toxic', Britney Spears (2003)
3. 'Billie Jean', Michael Jackson (1982)
4. 'Hotel California', The Eagles (1976)
5. 'La Tortura', Shakira (2005)
6. 'Smells Like Teen Spirit', Nirvana (1991)
7. 'Yesterday', The Beatles (1965)
8. 'One', U2 (1991)
9. 'Imagine', John Lennon (1971)
10. 'Sultans of Swing', Dire Straits (1978)


Aqui, mais uma pesquisa que coloca a banda de Freddie Mercury em primeiro lugar. Foi realizada no Reino Unido pelo grupo OnePoll com 10 mil britânicos.

1. 'Bohemian Rhapsody', Queen (1975)
2. 'YMCA', Village People (1978)
3. 'I do It For You', Bryan Adams (1991)
4. 'Angels', Robbie Williams (1997)
5. 'Red Red Wine', UB40 (1983)
6. 'Imagine', John Lennon (1971)
7. 'Sweet Child o' Mine', Guns N' Roses (1988)
8. 'Billie Jean', Michael Jackson (1982)
9. 'Dancing Queen', ABBA (1976)
10. 'Can't Get You out of My Head', Kylie Minogue (2001)


Segundo o portal about.com, embora subjetiva, esta é a lista para se começar uma coleção com o melhor da música pop mundial.

1. 'Imagine', John Lennon (1971)
2. 'Over the Rainbow', Judy Garland (1939)
3. 'Hallelujah', Jeff Buckley (1994)
4. 'Bohemian Rhapsody', Queen (1975)
5. 'Good Vibrations', The Beach Boys (1966)
6. 'Your Song', Elton John (1970)
7. 'Born to Run', Bruce Springsteen (1975)
8. 'One', U2 (1991)
9. 'Like a Prayer', Madonna (1989)
10. 'Dancing Queen', ABBA (1976)


A mais dinâmica das listas. O site é aberto ao público e funciona de modo colaborativo, em que os leitores avaliam as canções de uma a cinco estrelas, de maneira similar ao site de filmes IMDb. Por isso, a lista está em constante mudança. O Top 10 abaixo foi acessado em 31 de dezembro de 2013.

1. 'Stairway to Heaven', Led Zeppelin (1974)
2. 'Bohemian Rhapsody', Queen (1975)
3. 'More Than a Feeling', Boston (1976)
4. 'Wish You Were Here', Pink Floyd (1975)
5. 'Imagine', John Lennon (1971)
6. 'Hotel California', The Eagles (1976)
7. 'Love Is Like Oxygen', Sweet (1978)
8. 'Losing My Religion', R.E.M. (1991)
9. 'Billie Jean', Michael Jackson (1982)
10. 'The Reaper', Blue Öyster Cult (1976)


O critério principal para o ranking da seleção definitiva do cmais+ foi o número de aparições do hit entre as dez melhores das listas anteriores. Para aquelas com mesmo número de menções, o critério de desempate foi a recorrência de outras obras do mesmo autor nas seleções.

1. 'Imagine', John Lennon (1971)
2. 'Bohemian Rhapsody', Queen (1975)
3. 'Billie Jean', Michael Jackson (1982)
4. 'Smells Like Teen Spirit', Nirvana (1991)
5. 'One', U2 (1991)
6. 'Satisfaction', The Rolling Stones (1965)
7. 'Good Vibrations', The Beach Boys (1966)
8. 'Hey Jude', The Beatles (1968)
9. 'I Heard It Through the Grapevine', Marvin Gaye (1968)
10. 'Respect', Aretha Franklin (1967)

Imagens: Homero Esteves
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25/02/16

Um belo dia, resolvi mudar comprar o box completo da série Friends. Mas não podia ignorar o fato de que já havia comprado a primeira temporada avulsa. Decidi então, trocar a mercadoria em algum sebo do centro da cidade.

Sebo, você deve saber, é o recanto dos saudosistas ávidos por conhecimento ou entretenimento. Livros amarelados pelo mofo tempo; relíquias que, a princípio, não eram consumíveis. Mas onde moro é mais do que isto - aqui, o sebo é onde o sabor do saber se torna salgado.

Na verdade, o preço nem é tão inviável, mas sim, o custo benefício. Você paga por livros rabiscados, com mais de duas orelhas, se é que me entende. Ainda assim, às vezes, é o nosso último refúgio. Mas esqueçamos da fantasia que nos desperta um sebo e lembremos de que é apenas mais um comércio disposto a usurpar o seu senso de pechincha.

Estava crente de que traria para casa, no mínimo, dois livros em troca da primeira temporada da sitcom. Pensava assim, pois levava em consideração que sebos aceitam trocas, como ocorre quando não temos dinheiro. Mas foi outro tipo de biscate que encontrei ~apagar~.

Dos dois sebos que adentrei, obtive a mesma resposta: "podemos pagar dolze reais por isto". Isto... Sim, meus caros, dolze reais pela primeira temporada novinha de uma das melhores séries já vistas. Uma vendedora tentou ser carinhosa: "a gente pode conseguir até quinze reais". Às vezes, acho que minha aparência de bicho-grilo atrapalha em qualquer tipo de negociação. Devem pensar que levanto dinheiro pra encher o meu cachimbo.

Um deles tentou argumentar: "é que dvd não sai muito". Tive que concordar, pois se você amontoa os encartes em um caixote de mamão papaia, num rodízio frenético entre títulos como Jacó Dois Dois, Star Trek Nemesis e Inspetor Bugiganga - fica difícil sair mesmo.

Falando sério, acho que os sebos têm uma espécie de código, uma cartilha com uma resposta para cada pergunta. O preço era o mesmo, os motivos eram os mesmos. "Nós compramos pela metade e vendemos pelo dobro", dizia a loira quase pegando ar, e completava: "temos que pagar aluguel, funcionários. Lutamos contra a pirataria, a internet..." Veja bem, ela combate o crime fora do expediente, achei melhor nem pechinchar.

Acontece que a primeira temporada de Friends tem quatro dvds, o que daria o justo preço de dolze reais se o produto fosse pirata. Mas pense comigo, a série passou mutilada no SBT e, portanto, só foi dublada em duas temporadas. Logo, não é tipo de série na qual os camelôs costumam investir.

Na internet, os preços variam de 35 a 65 reais, o que justifica o preço de 25 reais alçado pelos donos dos sebos. E se quiser baixar, irá levar um dia ao menos em virtude de nossa pseudo-banda larga.

Nos dois últimos casos, eu entendo o risco dos donos dos sebos. Entendo também o espírito "vamos faturar" dos comerciantes; sei que o cliente tem razão e o comércio tem dinheiro. O que não compreendo é por que eles anunciam a troca se ela não existe.

A troca em sebos é um processo de venda velado. São duas etapas: você vende pra o sebo, que vende pra você. Quando eles dizem que aceitam trocar, na verdade, estão dizendo que aceitam trocar por uma mercadoria cujo preço seja o mesmo estipulado para aquilo que você trouxe. É o mesmo que você vender seu livro e comprar outro com o dinheiro arrecadado.

Se não me engano, uma obra deve ter 56 páginas para ser considerada um livro. Pensando nisto, vi que na área destinada a Comunicação Social não havia nenhum livro pela quantia de dolze reais. Em quase nenhuma prateleira havia, pois os livros são vendidos por 15 ou mais reais, nunca por dolze.

Agora, pense comigo. Se o mafioso dono do sebo trocasse um de seus títulos repetidos de até 25 reais pelo meu box, ele se livraria de algo que duas pessoas rejeitaram e levaria uma nova obra, que lhe renderia, posteriormente, um lucro de, no mínimo, 100%.

No final das contas, eu dei a primeira temporada para um amigo. Mas sempre que eu me encontrar neste impasse, doarei a mercadoria para as Casas André Luiz - é isto ou "ganhar" dolze reais. Nem titubeio, véi. Cada trabalho tem seu preço.
 
Imagem: Robson Leal (topo)

Esse texto foi publicado pela primeira vez em 1° de outubro de 2012. Dias atrás, voltei a vender minhas quinquilharias, mais em brechós do que em sebos, e descobri um dono de sebo interessante, que não faz trocas, mas também não finge que aceita. Continuo doando muita coisa. Só não consigo lembrar de que tipo de texto acadêmico eu tirei a informação de que um livro deve ter, pelo menos, 56 páginas. Também esqueci de citar que alguns sebos ousam te pagar com vales, que só podem ser aceitos na própria loja.
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23/02/16

Muitos gestores de mídias sociais veem com certo desdém o potencial de alcance do Twitter, que, embora tenha diminuído significativamente nos últimos anos, ainda é positivo. Esta certa indiferença com a ferramenta também tornou impossível a percepção de outras qualidades peculiares do site.

Sendo você um usuário comum ou um social media, talvez não tenha notado que além do Twitter ser uma involuntária ferramenta de marketing pessoal, um eficaz serviço de atendimento ao consumidor, é também uma promissora plataforma de curadoria de conteúdo.

Naturalmente, o Twitter se desenha como um curador de conteúdo: os Trending Topics, por exemplo, são uma compilação dos assuntos mais comentados no microblog. Mas além dos TTs, a empresa investiu no Highlights - um resumo dos tuítes de destaque nos círculos sociais dos usuários - e, recentemente, começou a testar o Moments Brasil, um botão alimentado manualmente por uma equipe de jornalistas dedicados a selecionar as melhores histórias da rede brasileira e agrupá-las em narrativas.


Para os produtores de conteúdo essas benesses não são o bastante. Se você trabalha com um nicho de mercado, algoritmos e outros filtros podem não ser suficientes para atender sua demanda, que vai muito além do buzz momentâneo, memes e outras interações. Então, como encontrar seus interesses sem utilizar aplicativos pagos? Fácil. Use os recursos nativos do site!

Em vez de bookmarks, listas

No Twitter ou no Facebook, as listas se tornaram os novos favoritos. Em vez de agrupar suas páginas prediletas em pastas do navegador, agora basta criar listas temáticas com os perfis de sua escolha. Se você trabalha no setor editorial, por exemplo, vale a pena criar uma lista com editoras de livros e outras publicações e, assim, analisar as atividades da concorrência em ordem cronológica.


Encontre e conheça sua clientela

Tal como o Google, o Twitter usa operadores booleanos para gerar resultados eficientes em suas buscas. Quando você realiza uma busca avançada, já está fazendo uso deles sem perceber, mas é bom conhecê-los e combiná-los para uma eficaz prospecção de novos clientes. Veja direto da fonte: https://twitter.com/search-home?lang=pt

Imagine que você tem um e-commerce e quer saber o grau de interesse brasuca no Chromecast ou no Chromebook, antes de importá-los. Por meio de uma busca no Twitter é possível acompanhar os comentários sobre os produtos e, futuramente, oferecer às arrobas interessadas o link de sua loja. Basta combinar alguns comandos. No caso citado, a expressão poderia ser: chromecast OR chromebook -filter:links lang:pt. Esta pesquisa retornaria todos os resultados para Chromecast ou Chromebook em português, excluindo apenas tuítes com links. Você ainda poderia adicionar o trecho “near:brasil” para omitir as postagens dos demais lusófonos. Dependendo da busca, isso pode ser indiferente. Nesse caso, o filtro chega a ser perigoso, pois elimina potenciais compradores estrangeiros.


Por uma Ego Search requintada
Ego Search é uma tarefa comum entre os formadores de opinião da rede. Preocupados com a reputação, webstars e semelhantes costumam buscar o que falam de si no microblog. Os mais desavisados procuram apenas pela sua arroba, enquanto outros adicionam seu nome e variantes. Se eu fizer uma busca pela minha arroba, irei receber, entre outros, tuítes da minha própria conta. Por outro lado, se você usar a expressão to:tejotamenezes, você irá limitar a amostra aos replies, o que não compreende todas as menções ou RTs comentados. Portanto, a combinação mais refinada, sem incluir variantes, seria: "tejotamenezes" -from:tejotamenezes.


Hard news ficou mais fácil
Para quem trabalha com jornalismo, as redes sociais diminuiram consideravelmente o número de telefonemas para os orgãos competentes. Além da checagem habitual, locutores noticiaristas, repórteres de Cidades e outras editorias podem verificar o cotidiano do município e reportar os factuais mais importantes após buscas avançadas no microblog.

Quando trabalhava com apuração de notícias, eu utilizava o Twitter para monitorar o trânsito nas principais vias da capital de São Paulo e estradas, além das notícias de mortes de pessoas públicas divulgadas em portais. Para a metrópole, eu usava a seguinte fórmula: from:cetsp_ OR from:transito_sp OR from:saopaulo_agora OR from:btntransito OR from:transitoagoraSP OR from:rstnoar congestionamento OR congestionado OR tráfego OR lento OR lentidão OR liberado OR normalizado OR liberadas OR engavetamento OR engarrafamento OR acidente OR interdita OR interditado OR interferência OR trânsito OR interdição OR parado OR reforma OR bloqueio OR interditada OR queda OR solapamento OR capotamento.


As possibilidades de uso são infinitas, independente de sua área de atuação. Por isso, fica a dica: além de analisar as métricas do seu perfil, monitore a concorrência e o público que interage com ela, acompanhe os seus pares e verifique as atividades de toda a rede. Então, decore os comandos, crie os filtros e não se esqueça de escolher a opção "Ao Vivo" para receber as últimas ocorrências. Depois, é só salvar a pesquisa e esperar os robôs trabalharem por você, enquanto você cumpre outras tarefas.

Tecnologia aliada à informação para hater nenhum botar defeito.
 
Imagem: Kacper Pempel (topo)
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20/02/16

Mãe, você é obra que não se resume. Por isso, atrevo-me apenas em descrevê-la. É a magia sem truques; o amor à primeira vista que não cega, mas norteia. Teu sorriso parece uma lua minguante deitada, mas a lua não emite luz própria.

Mãe, minhas lágrimas se secam com o ar da tua graça e o calor da tua presença. Tuas palavras, mesmo que pareçam sem sentido, sempre me deram alguma direção. O que você diz é capaz de compor o meu sorriso e o teu sorriso é capaz de me fazer compor.

Mãe, você me faz pedir colo, mesmo quando já posso colocar meus pés no chão e andar com as minhas próprias pernas. A única pessoa que me ama com todas as forças, apesar de todas as minhas fraquezas. Só pelos teus olhos posso ver os altos e baixos de minha vida como degraus.

Penso, logo existo. Talvez Descartes não tivesse mãe, pois logo quando penso, penso que sem ti não existo totalmente.

Mãe, admiro teu jeito de conseguir tudo a passos leves e braços fortes. Você é a única mulher que faz o meu coração bater, as outras o fazem apanhar. Por isso me arrependo de ter tratado como deusas, garotas da vida alheia. Hoje, vejo que esses amores são, no máximo, angelicais e percebo que divino mesmo é o seu amor.
 
Imagem: Arquivo pessoal de Tejota Menezes (topo)
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19/02/16

Três anos atrás, às 9h de um dia qualquer, Sérgio Lemes e eu apresentávamos o programa 'Rádio Show History: Especial Red Hot Chili Peppers', recontando ao vivo os trinta anos da história de sucesso do RHCP, grupo americano, originalmente de rock, com influências de punk, funk, rap, trash metal e rock psicodélico, formado em 1983, em Los Angeles, Califórnia.

Escrevi, produzi e locutei o especial transmitido pela Rádio Show 87.5 FM. A audiência foi relativamente boa e a crítica foi tendenciosamente favorável. A autocrítica nem tanto. Além das escorregadas, minha voz continua me incomodando. Pelo menos, segundo o locutor Sérgio Lemes, meu modo de apresentar lembra o de Terence Machado, apresentador do Alto-Falante, da Rede Minas.

Capturamos o áudio que embedei aqui, com direito a tudo: alguns erros, um break comercial e outras gasturas. Por outro lado, tudo deu certo na parte técnica, conduzida pelos sonoplastas Carlo Minucci e Emerson Santos. A voz das vinhetas é do jornalista Lucas Vilela, um dos criadores do site About Music.

Reproduzo abaixo pedaços da pesquisa que originou o livro-objeto deste trabalho e trouxe detalhes sobre a trajetória do grupo, tomando como referência a história de ousadia e união dos fundadores Anthony Kiedis, vocalista, e Michael 'Flea' Balzary, baixista.

Ouça o especial e acesse o menu.
 



1. Resumo
Nossa abordagem procurou privilegiar a inserção de Anthony Kiedis e Flea no cenário musical, do início underground ao estrelato consagrado por premiações, passando pelas experimentações musicais que findaram no funk metal característico do grupo, sem esquecer-se dos contratempos superados pela dupla nas inúmeras formações da banda. A programação musical também buscou destacar os hits do gênero funk metal, que foram dispostos na programação de maneira cronológica. A playlist contou com oito sucessos de curta duração, praticamente um para cada álbum de estúdio, salvo o disco One Hot Minute, que ficou de fora do repertório por não apresentar o estilo dos demais e 'I'm With You', último álbum lançado, representado por um trecho de 'Did I Let You Know', canção lançada como single exclusivo do Brasil.

2. Fotos
O RHCP em sua primeira formação: Anthony Kiedis, Hillel Slovak, Flea e Jack Irons. Nels Israelson
 
O "desajeitado" Chad Smith, um dos cem melhores bateristas do mundo. Tony Woolliscroft

A menos apimentada das gerações do Red Hot. Prudence Cuming Associates
 
O sempre performático Anthony Kiedis. Danny Clinch
 
Flea - do trompete da banda da escola ao contrabaixo do maior grupo da Califórnia. Thomas Samson

3. Álbuns de estúdio
The Red Hot Chili Peppers (1984)The Red Hot Chili Peppers foi lançado pela EMI e contou com a participação do guitarrista Jack Sherman, duas parcerias problemáticas. Hillel Slovak e Jack Irons ficaram de fora, pois já tinham contratos com a MCA Records. O disco não repetiu o êxito da banda na cena underground.

Freaky Styley (1985)Os ares campestres da fazenda do produtor George Clinton, onde o disco foi gravado, fizeram bem à banda. Ao contrário do primeiro álbum, Freaky Styley foi um sucesso de crítica e possibilitou ao grupo o ingresso nos palcos europeus.

The Uplift Mofo Party Plan (1987)O mais conturbado trabalho dos Peppers criou um estilo - misto de funk metal e hard rock – e superou os anteriores, atingindo a posição 148 no ranking Billboard 200, mas foi dificultado por diversos problemas, como a dependência de Anthony Kiedis e a morte de Hillel Slovak.

Mother's Milk (1989)Apesar de ter a venda recusada em várias cadeias nacionais por exibir nudez, 'Mother's Milk' alcançou a posição de número 52 no ranking Billboard 200. Destaques para a nova formação, com John Frusciante e Chad Smith, e para as faixas 'Higher Ground' e 'Knock Me Down'.

Blood Sugar Sex Magik (1991)Marco na história do rock alternativo, Blood Sugar Sex Magik vendeu mais de 13 milhões de cópias em todo o mundo e recebeu sete discos de platina. A obra também alcançou o terceiro lugar no ranking Billboard 200 e está na lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame.

One Hot Minute (1995)Reflexo do retorno de Anthony Kiedis ao vício em cocaína e heroína e da substituição de Frusciante por Dave Navarro, o disco teve sua sonoridade afetada. Mesmo gerando três singles e alcançando o quarto lugar na parada da Billboard, vendeu menos da metade que Blood Sugar Sex Magik.

Californication (1999)Álbum de maior sucesso do RHCP, alcançou a terceira posição da Billboard 200 e vendeu mais de 16 milhões de cópias. As letras polêmicas e a volta de Frusciante foram determinantes para a criação de hits como 'Otherside', 'Californication' e 'Scar Tissue', ganhadora do Grammy.

By the Way (2002)Reconhecido pelas canções melódicas e suaves, By The Way vendeu 1 milhão e 800 mil cópias em sua primeira semana. Apesar das drogas continuarem presentes nas letras, 'By the Way', 'I Could Die for You', 'Dosed' e 'Warm Tape' foram compostas em nome do amor.

Stadium Arcadium (2006)Primeiro álbum duplo, com 28 faixas, Stadium Arcadium foi o disco mais vendido de 2006 e venceu quatro Grammys no ano seguinte, dois deles por 'Dani California': Melhor Performance de Rock em Dupla ou GrupoMelhor Canção de Rock.

I'm With You (2011)Com Josh Klinghoffer atuando no lugar de John Frusciante, o décimo álbum do quarteto estreou em 2º lugar no Top 200 da Billboard e vendeu quase 250 mil cópias na primeira semana nos EUA. Destaques para as faixas 'The Adventures of Raindance Maggie' e 'Monarchy of Roses'.

4. Shows marcantes
Woodstock '94 (1994)O RHCP foi um dos últimos grupos a se apresentar na edição comemorativa do festival Woodstock, em Saugerties, Nova Iorque, Estados Unidos. O show marcou a estreia de Dave Navarro nos palcos e ficou lembrado pela extravagante fantasia de lâmpadas que os Peppers vestiam.

Red Square (1999)Num show gratuito para mais de 200 mil pessoas, na Red Square, praça de Moscou, Rússia, os Peppers iniciaram a turnê europeia de Californication e inauguraram a MTV russa. O grupo precisou de escolta policial para chegar até o palco e John Frusciante ficou paranoico com um possível sequestro.

Rock In Rio 3 (2001)A passagem dos Peppers pelo festival foi inesquecível. O Red Hot Chili Peppers encerrou o Rock In Rio 3, na Cidade do Rock, Rio de Janeiro, para 250 mil espectadores. O maior público da banda festejou hits como 'Give It Away' e 'Me & My Friends', e acompanhou 'Under the Bridge' em coro.

Slane Castle (2003)Mais de 60 mil pessoas lotaram o anfiteatro do castelo medieval de Boyne Valley of County Meath, Irlanda, para a gravação de Live at Slane Castle, o primeiro DVD a partir de um único show. As cenas foram montadas para criar o efeito bullet-time, popularizado em 'Matrix'.

Hyde Park (2004)Os três shows no Hyde Park, parque real londrino, foram compilados em um álbum duplo - o primeiro ao vivo. O repertório contou com hits de grandes discos comerciais: Californication, Blood Sugar Sex Magik e By the Way. Cerca de 250 mil ingressos foram vendidos em quatro horas.

5. Considerações finais
A autobiografia de Anthony Kiedis, 'Scar Tissue', nos proveu material biográfico suficiente até o ano 2004, quando o livro foi lançado. Através dessa obra, pudemos determinar o fio mediador de nossa lauda: as vidas de Anthony e Flea, fundadores do Red Hot Chili Peppers.

Os trechos referentes aos últimos sete anos, de 2004 a 2011, ano de lançamento do último CD, foram montados após pesquisas em artigos, entrevistas, tópicos e matérias de fóruns e blogs. Nem todos serviram para a criação do texto, mas foram determinantes na escolha e descrições das músicas.

A programação musical buscou contemplar todos os álbuns com pelo menos uma canção. De certa maneira, todos foram inseridos no repertório musical do especial. Infelizmente, tivemos que deixar um deles de fora da playlist. Eram dez álbuns ao total, mas só podíamos escolher oito músicas, quatro por bloco. Sendo assim, decidimos retirar da lista One Hot Minute, álbum mais controverso do grupo, representando-o apenas em texto e por um background derivado de 'Aeroplane'. I'm With You, por sua vez, foi representado por um pequeno trecho da brasileiríssima 'Did I Let You Know'.

Acompanhando a ordem cronológica do texto, a playlist procurou também reunir as canções do gênero funk metal. Nossa triagem levou alguns parâmetros em consideração: ritmo, proeminência, duração e contexto histórico. Este último foi o único parâmetro determinante, visto que a canção deveria acompanhar a época descrita no texto.

Dividimos as músicas em dois blocos. O primeiro recebeu quase treze minutos de música. O segundo teve um pouco mais, cerca de quinze minutos. Somamos o tempo ocupado por vinhetas ao intervalo para quantificar o tempo restante para o conteúdo de fala. Sendo assim, dividimos o resultado em partes de igual duração para que o texto adquirisse uma unidade, sem parecer curto ou longo.

A escolha dos backgrounds seguiu lógica parecida àquela exercida para a programação musical. Deveríamos criar cinco trilhas de BG. Criamos uma para cada década, dos anos 80 aos 2010, e outra para representar a fase negra do grupo, vivida em One Hot Minute. Todas oriundas de canções do Red Hot Chili Peppers, vinculadas com o período em questão.

Durante a execução deste trabalho, nos sentimos triplamente desafiados. E a tríade de desafios incluía: despertar o interesse de ouvintes que já conhecem os Peppers, esclarecer quem são os californianos para os demais ouvintes e criar um texto original, que fosse documental como o texto noticioso, mas jovial como público a que é destinado.
  
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